quinta-feira, 16 de maio de 2013

Pela última vez

E tragou pela última vez.
Como era de hábito aos sábados.
Não que fosse uma coisa boa.
E sim, sabia que o cheiro fica impregnado na roupa.
Mais tarde sentiu-se mal.
Passou a pensar nos problemas que viriam.
Mas o cigarro ajudava a esquecer.
Esquecer alguém ou algo.
Um vício curando o outro.
Decidiu parar.
Sentiu uma falta absurda, mas os pulmões estavam cansados.
Aquela vasta sensação de bem estar, tinha que ir embora.
Tinha sido uma escolha péssima logo de inicio.
E tragou pela última vez.


quarta-feira, 15 de maio de 2013

Meu vício


Abandonei.
Como outras vezes tentei.
Abandonei meus espasmos por você.
Só as lembranças de alívios fora do limite, me restaram.
Minha mente tão descontrolada por você, esta em paz.
Meu corpo se abre na medida em que vejo você cada vez mais longe de mim.
Eu peguei meu casaco preto, desci próximo ao que me mutilou.
Abandonei, sem enormes saudades e senti lágrimas camufladas.
Deixo-te ir. Leve com você tudo o que um dia nos firmou.
Do precipício ao arrependimento, te abandonei.



quinta-feira, 9 de maio de 2013

De novembro a novembro


Meses sem se importar com as próprias angustias.
Sem medo de sentir a solidão.
Se esforçando para continuar.
Ofegando a cada paixão.
Dias bons, dias nublados, de novembro a novembro.
Aceitando o tempo, deixando ele passar.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Cabe aqui



Cabe?
Aqui neste segundo, cabe?
Este alívio, este grito, este pedaço seu.
Cabe, seu gosto, seu lábio, seu cheiro.
Um tapa, um gemido, uma palavra qualquer.
Cabe, neste segundo.
Cabe nele o mais profundo, sim ou não.
A gente amontoa a diferença e a dúvida.
Cabe, neste segundo.
Coloca o desespero da solidão e uma dose de whisky.
Cabe, neste sorriso, neste adeus, neste  foda-se.
Um sexo, um olhar, uma certeza.
Cabe a nós neste segundo.
Um instante e uma lembrança pra virar saudade.



terça-feira, 30 de abril de 2013

Tão solta.


Eu caminho, de mãos livres.
Eu me balanço, e no impulso  me deixo levar.
Fechei os olhos, deixei a energia entrar.
Vou e volto, querendo sempre mais.
Vício.
Intenso, não consigo conter.
No silêncio, me contento.
Na calmaria, me faz sorrir a toa.
Tão sutilmente, vício.
Nesse calmo balançar, eu me sinto cada vez mais distante.
Solta, como as ondas.
Delírios nas danças, eu me perco em que passo dar.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Meu monstro


Contido em mim, monstro.
Tão belo monstro, contido.
As bebidas não afetam.
Nem mesmo um gole daquilo que aperta o peito.
Há verdades de mim, que dizem por ai.
Uma moça gentil, amável.  Não acreditei, claro que não.
Monstro calejado de escrever sobre seus erros.
Como poder explicar a eles esses traços, linhas, vírgulas e pontos.
Guardei no verso, meu sorriso.
E deixei na capa o monstro contido.